Resinas Vinílicas
Diferença VMCH VYHH e VAGH explicada por grupo funcional: composição, Tg, viscosidade e o critério de escolha para cada aplicação de tinta e adesivo.
As três resinas vinílicas em solução mais pedidas no Brasil têm quase a mesma espinha dorsal. VYHH, VMCH e VAGH são todas copolímeros de cloreto de vinila e acetato de vinila, com massa molar média (Mn) de 27.000 nas três. O que separa uma da outra é o terceiro monômero, presente em 1% a 6% da massa, e é ele que determina se o filme adere a metal, se aceita reticulação e em que solvente a resina dissolve.
Quem compra por preço de tabela e assume que "resina vinílica é tudo igual" costuma descobrir a diferença na linha, com o revestimento descolando da folha ou o verniz gelificando no tambor.
O VMCH não tem grupo funcional reativo quando comparado à VYHH — mas antes de falar dele, vale entender a base. O VYHH é um binário de 86% de cloreto de vinila e 14% de acetato de vinila. Sem carboxila e sem hidroxila, o filme ancora por contato físico e nada mais, o que resulta em adesão baixa a metal limpo.
O VMCH troca 1% da composição por ácido maleico, o que introduz carboxilas livres na cadeia. Essas carboxilas interagem com a camada de óxido do substrato metálico e produzem adesão direta em alumínio, flandres e galvanizado, com secagem ao ar e sem primer.
O VAGH parte de uma composição diferente (90% de cloreto de vinila e 4% de acetato de vinila) e carrega 6% de álcool vinílico, com 2,3% de hidroxila em massa e índice de hidroxila de 76. A hidroxila faz duas coisas que a carboxila não faz: melhora a compatibilidade com outras resinas e abre um sítio de reticulação com poliisocianato ou resina amínica.
| Propriedade | VYHH | VMCH | VAGH |
|---|---|---|---|
| Cloreto de vinila | 86% | 86% | 90% |
| Acetato de vinila | 14% | 13% | 4% |
| Terceiro monômero | nenhum | 1% ácido maleico | 6% álcool vinílico |
| Grupo funcional | nenhum | carboxila (1,0%) | hidroxila (2,3%) |
| Índice de hidroxila | — | — | 76 |
| Viscosidade inerente (ASTM D1243) | 0,50 | 0,50 | 0,53 |
| Densidade (ASTM D792) | 1,35 | 1,35 | 1,39 |
| Tg | 72 °C | 74 °C | 79 °C |
| Mn (referência poliestireno) | 27.000 | 27.000 | 27.000 |
| Viscosidade da solução (30% em MEK, 25 °C) | 600 cP | 650 cP | 1.000 cP |
| Solução típica de trabalho | 20% em MEK/tolueno 50/50, 200 cP | 20% em MEK/tolueno 50/50, 150 cP | 20% em MEK/tolueno 50/50, 350 cP |
Mostramos só parte da tabela. O comparativo completo VYHH · VMCH · VAGH a gente envia direto pra você.
Pedir os dados completosValores de referência da literatura UCAR original. Os grades asiáticos que circulam no mercado brasileiro declaram equivalência a esses números, e a conferência tem que ser feita no laudo do lote.
Repare na última linha. Com a mesma massa molar e o mesmo teor de sólidos, o VAGH dá mais que o dobro da viscosidade do VMCH. Numa formulação limitada por viscosidade de aplicação (rotogravura, cortina, spray airless), isso significa menos sólidos por demão e mais solvente por quilo de filme seco.
O VYHH é especificado justamente onde ninguém quer aderência permanente. Revestimento removível (strippable) para proteção temporária de peça metálica usinada é o caso clássico: o filme precisa segurar durante transporte e estocagem e sair inteiro, sem resíduo, quando puxado.
Fora disso, o VYHH aparece em tinta e sobreverniz aplicados sobre substrato vinílico, onde a ancoragem vem da afinidade do PVC com o PVC e não do grupo funcional. Também entra em mistura com VMCH em tinta de manutenção industrial e marítima, para ajustar custo e repintura sem sacrificar a ancoragem que o VMCH dá.
Esse é o território do VMCH. Verniz de folha de alumínio, laca de fundo para cartão metalizado, revestimento termosselável de blister farmacêutico, revestimento interno de lata e tinta de reparo em campo. O ganho de processo é a eliminação da etapa de primer, e a Tg de 74 °C garante que o filme não bloqueie na bobina antes da selagem.
O limite do VMCH é a natureza termoplástica. O filme reamolece e volta a solubilizar no próprio solvente de origem, o que ajuda na repintura e atrapalha em ambiente com respingo.
Se o requisito é resistência química ou a solvente acima do que um termoplástico entrega, a hidroxila do VAGH é o caminho. Ela reage com poliisocianato em sistema 2K ou com resina melamínica sob cura em estufa, e o filme deixa de ser reversível.
O VAGH também é a escolha quando o filme seco vai encontrar álcool ou hidrocarboneto alifático em serviço, porque o filme reticulado resiste bem a esses dois. Vale separar as duas coisas: resistência do filme não é tolerância da solução. Para diluir com álcool ou alifático na formulação, o grade indicado é outro (VROH, hidroxialquil acrilato, projetado para alta tolerância a diluente), não o VAGH.
A contrapartida é operacional. Sistema reticulado tem pot life, exige controle de umidade no caso do isocianato e obriga a estabilizar contra a desidrocloração do PVC quando passa por estufa.
Não sem retrabalhar a formulação. A carboxila vai ancorar no metal e o filme deixa de sair inteiro, que é exatamente o que o revestimento removível não pode fazer.
Em secagem ao ar, não. A hidroxila melhora adesão e compatibilidade em geral, mas a ancoragem direta em metal sem primer é o que a carboxila do VMCH resolve.
Nas mesmas famílias (cetonas e ésteres como solventes ativos, aromáticos como diluentes). A proporção mínima de solvente ativo muda entre elas e o VAGH é o mais exigente dos três.
Porque é assim mesmo. Com Mn igual, o VAGH dá cerca de 1.000 cP contra 650 cP do VMCH nas mesmas condições. As pontes de hidrogênio entre hidroxilas aumentam a viscosidade da solução.
As resinas vinílicas em solução dessa família são compatíveis entre si. A mistura VYHH e VMCH é rotina em manutenção industrial. Misturar VAGH com as outras duas exige atenção ao balanço de solvente, que é ditado pela mais exigente.
Pelos números do laudo (teor de cloreto de vinila, viscosidade inerente, viscosidade da solução na concentração declarada e índice de hidroxila ou teor de carboxila), nunca pela sigla impressa no saco.
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